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Prova de Física


Janeiro, 2002
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Um professor universitário aposentando conta esta história verídica:

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de júri na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota zero.

O aluno contestava a avaliação, alegando que merecia nota máxima pela resposta, dizendo haver uma "conspiração do sistema" contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um jurí imparcial, e eu fui o escolhido.

Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: "Mostre como se pode determinar a altura de um edifício com o auxílio de um barómetro?"

A resposta do estudante foi a seguinte: "Leve o barómetro ao alto do edifício e amarre-o a uma corda; baixe o barómetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício."

Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correcta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto.

Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima já que havia respondido à questão completa e correctamente.

Entretanto, se ele tirasse nota máxima estaria a receber aprovação num curso de Física, sem que a resposta confirmasse o seu conhecimento. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder à questão: ele teria seis minutos e a sua resposta deveria demonstrar, necessariamente, algum conhecimento de Física.

Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para a parede da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida e não tinha tempo a perder. Surpreso fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse. No momento seguinte ele escreveu esta resposta: "Vá ao alto do edifício, incline-se numa ponta do telhado e solte o barómetro, medindo o tempo "t" de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula "h =(1/2)gt^2", calcule a altura do edifício."

Perguntei ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição de dar praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele algum descontentamento, e talvez mesmo algum inconformismo.

Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barómetro." Perante a minha curiosidade e a perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações: "Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barómetro e o comprimento de sua sombra projectada no solo, bem como a do edifício, depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício. Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e directo, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barómetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas. Um método mais complexo seria amarrar o barómetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinaçao da aceleraçao da gravidade(g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois "g's", e a altura do edifício pode, em princípio, ser calculada com base nessa diferença.

"Finalmente..." concluiu, - "se não se exigir uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo: pode-se ir até o edifício e bater à porta do porteiro. Quando ele aparecer; diz-se: 'Caro Sr. porteiro, tenho aqui um óptimo barómetro. Se me disser a altura deste edifício, dou-lhe o barómetro de presente.'"

A esta altura, perguntei ao estudante se ele sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto das tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente absorvidas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, essencialmente, uma farsa!!!

"Nao basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto" (Albert Einstein)

Mais... Humor

 

 

 
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